terça-feira, 30 de agosto de 2011

Envelhecência





É mesmo extraordinário
que tenhamos sido capacitados por Deus na nossa mente que antecipa desde sempre, a tecnologia alargada com a modernidade e nos possibilita a ter imagens bem dimensionadas e porque não dizer, digitalizadas todas num banco de dados da memória gravadas.
De modo que sem grandes dificuldades de conexão podemos adentrar á cenas vinculadas num antigo registro do passado e outra vez tornar evidentes e sensoriais todas as sensações arquivadas na lembrança. 
É exatamente o que experimento,
cada vez que recordo episódios do passado já distante, como a voz aguda e forte de minha mãe cantando em casa enquanto realizava os afazeres domésticos... Posso como que ouvi-la outra vez!
Como poderia não estar atento ao que me visita em certa ocasião quando me vejo nitidamente em cena digitalizada do “dvd mental” me transportando facilmente para as cenas que minha mãe me embrulhava afetuosamente com agasalhos e cobertores em noites de chuva, cantando pra eu dormir, e estando ao meu lado até que eu pegasse no sono...
É mesmo impossível não ser de todo absorvido por estas imagens seguidas fartamente de sensações sensoriais que bem ajustadas, que dominam aquela cena.
Posso “sentir” na retomada da lembrança
o calor de suas mãos entre as minhas e até mesmo de seus dedos brincando o meu cabelo... O som, o cheiro de terra molhada e a umidade daquelas noites de tempestades de verão, hoje já não são nada sombrias, pelo contrário, sugerem fartamente o conforto e aconchego trazido e alcançado pela figura protetora de minha mãe. 
Lembrei-me de tudo isso ao refletir um pouco nas inúmeras possibilidades de imagens que são arquivadas dentro de nós ao longo da vida através da leitura de um livro... Aliás, como disse no texto a que me referi, todos os livros e todos os escritos têm esse poder de forjar que estes registros se tornem todos enfileirados de largo conteúdo de memória.

Talvés esse meu apreço de agora pelas recordações de ontem ou pelas vantagens de ter repertórios de historias pra contar, faça parte inevitável da minha envelhecencia...!

Quando se é jovem queremos com ânsia de vida, evidenciar cada segundo como sendo essa fração minuscular, uma fração de mega importância... Para mais tarde e parece que esse tempo chegou pra mim agora, (riso) rever a coleção de lembranças obtidas ao longo do tempo, me dá a boa sensação de que andei vivendo bem a minha vida.

Provido de grande sensibilidade dei devida importância a todas as coisas boas que passaram por mim e não me lembro de ter colecionado inimigos...

Também decidi deletar todas àquelas lembranças que tinham no ontem o poder de me angustiar ou entristecer. Ninguém caminha a vida com gosto tendo desgosto a pesar na bagagem... A vida pode se tornar num enfadonho esgotamento – um fardo pesado de morte! Quero lembranças vivas! – “deixe os mortos a enterrar os seus mortos...”.
Quero o contentamento da boa consciência lavada na certeza de que O Braço Soberano aponta o caminho.
Quero o descanso das faltas e enganos que eu cometi – Restituição possível de conclusão de que nada é por mero merecimento...
Certa vez sugeri á minha mãe que ela adotasse com força e veemência um tanto bom de sabedoria armazenada para os dias de menor discernimento que a envelhecência atrai. Podemos ganhar força e vigor no entusiasmo e alegria de viver. Vamos nos adaptando a viver com menos depois de certa idade... Como se a casa fosse ficando mais larga, como uma roupa que precisasse de ajustes... E fossemos nos provendo e necessitando de menos coisas essenciais... Menos coisas nos interessam e por consequentemente, menos delas nos aborrecem...

Tenho sido ganho por afazeres que antes eu desdenhava... A impaciência e animosidade, a solicitude e ansiedade amplas da pouca idade tendenciosamente tem os seus dias contados!...

Hoje tem sido mais fácil agradar e atender os anseios do meu coração. Pouca coisa ou quero dizer, menores porções me satisfazem com muito mais cuidado do que a gulosa solicitação da minha juventude. De modo que sobriamente, tenho subido os altos da minha nova idade, - um jovem senhor dentro de mim tem me acordado para uma vida nova e certamente o que vai bem dentro da minha esperança é viver dias melhores nesse ciclo de novo tempo que abraça agora a minha idade...


"Os jovens terão sonhos e os velhos terão visão" como está escrito na Palavra. E realmente é mesmo assim, quando temos o teor da juventude, os sonhos são facilmente instalados como planos e projetos hábeis de realização, quando os anos passam e já despontam o concreto e o realizado, então, passamos a ver, a contemplar e a ter visão do que foi alcançado ao longo dos anos, cumprindo o Senhor o derramamento prometido do Seu Espírito.

Vamos avançando, prosseguindo sonhando e vendo esperançosos de que seja através de um sonho ou uma visão concreta torne-se manifesta na realidade plausível dos nossos dias...

Marcos



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