quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ancoradouro







Lágrimas
transbordam
dos afluentes dos meus olhos 
mariados 


sabem a sal...


Meus olhos verdes
de mares e oceanos incontidos
profundo
verde infindo
onde navios vastos
Embarcações
navegantes
transeuntes marítimos
bárbaros
exploradores
descobridores 
sete mares nos olhos contidos


indo e vindo
nos meus olhos cheios d'água vertidos...


Onde vai toda essa água desaguar?


Nos lábios um riso estendido
entoa silencioso alegre canto  
alegoria 
contente de uma esperança
confiança que me alcança
Perseverança...


Que lágrima caldalosa é essa
que me faz perdurar o riso
como âncora tenaz 
que me atraca o peito
quase um defeito 
Esperançar

Perseverar...


Meu El dourado
encontrado
Terras além-mar
Céu infinito
redescobertas 
dum caminho inverso
sobre as águas bravias desses olhos-mar.


"El Capitan incendiou todas as naves como heroico e preciso ato de que qualquer desistência fosse logo vencida..."


Executados seriam aqueles que retrocedessem... Avante!


Dirige as coordenadas
de estrada sobre as águas
que me virão aos olhos
e que verei debruçar
sobre os horizontes que a vista alcançar...
Explorarei ideias
e ideais se farão possíveis
numa nova rota marítima
á expansão territorial de outros mares


o seu 
o meu
encontrar...






Marcos

domingo, 25 de dezembro de 2011

Facetas da Vida






A minha vida
Parece ter sido
fatiada
estendida
discorrida
em muitas vidas
que fazem sempre 
que a minha vida dantes conhecida
não me seja mais reconhecida
minha a vida.


Que vida enriquecida!
Tanta vida em minha vida
Sete vezes sete vidas já vividas
e essa que vivo agora nem parece
minha vida.


Vida fotografia
Imagem refletida colorida
traço de memória esculpida
Seria mesmo minha
toda essa vida já vivida?


Sinto-me como se um menino eternamente
conduzido por um homem adulto já
me levasse por destinos multiformes todo dia
e os cenários em mutação
e eu tomado pela mão
gentes, países, lugares,
algares profundos bem dentro de mim...


Fossem outros de mim mesmo em épocas
distantes
num retrospecto que faço eu menino homem já
Será mesmo que eu estava lá?


Onde está a minha mãe, 
meus irmãos aonde estão?
Tenho pátria, matria mãe gentil que me pertence? 
Brasil?


Viajei mundo a fora
molhei os pés em outro mar
provei do sal de outros lares
e me imprimi na história de todos eles... 
Eles impressos em mim
como quem sai para ver o que está reservado
para além do horizonte...


Pois que mesmo ilhado 
em porto seguro onde agora me encontro
encontro-me desbravando lugares inéditos 
que não me foram ainda
E
mesmo aqui
sem sair do lugar
como se buscasse incansável
vida que se apropriasse minha 
a vida. 


Estendida outro mar alcançar...


Amei e quis amar
como se o amor fosse a última vez de amar
me debrucei estrada afora desse amor
e me enchi de fé, de luz e de ternura, amei
de novo como se não fosse outra vez amar...


Será mesmo que cada idade vivida
foi uma idade estendida
Uma Vida Concedida?


Ah,

minha 
vida!


Super vida
Suprida
Sobrevida
Sobrevivida...






Marcos













Nova Estação





Os frutos vem
de onde
as flores 
existiram
...
Assim como flores vieram
os frutos virão

Chegou o Verão!


Marcos

sábado, 17 de dezembro de 2011

Com o sol no horizonte...








"Quando leio o que você escreve,


me lembro das várias noites 


em que passamos acordados 


conversando sobre um tantão de coisas 


até o sol aparecer no horizonte.


Á medida que meus olhos passam pelas palavras 


sua voz ecoa na minha cabeça 


através dos meus ouvidos 


ou melhor olhos, 


me trazendo uma sensação de nostalgia 


e muita saudade daquele tempo. 


SOU FORTÃO !!! HAHAHAHA....


SAUDADES MANO!!! 


FORTE ABRAÇO!!"




Lucas Cruz

Aquela noite de dezembro





"Deixei meu sapatinho 
na janela do quintal
papai do Céu deixou meu presente de Natal"
...
As lembranças todas significativas
que cercam o Natal 
desde que eu era menino, despertaram no meu coração 
o desejo e a esperança de ser "lembrado" com um presente...
Minha infância pobre desmentia 
muitas vezes essa lembrança.
Mas o encantamento que cercava a data
ou me foi aprendido
ou me foi traduzido
como sendo um momento de expectativa 
de que algo bom me aconteceria naquela
noite de dezembro...
E de fato, fosse uma roupinha nova
um brinquedo barato,
prenda simples que cabia no bolso de minha mãe...
Sempre vinha um agrado, uma lembrança.
Nossa ceia, solitária nem de perto imitava
ao glamourosos encontros em torno de mesa farta
que a nossa TV em preto e branco exibia.
Mas nossa noite colorida em mesa simples traduzia
um aconchego feliz que a televisão não garantia existir...
Depois de crescido poucas vezes se reproduziu
mesmo em meio a luxos apetitosos de uma mesa farta
o acolhimento que cabia no colo de minha mãe
ou na oração sincera que se fazia na gratidão 
do pão repartido...
Eu passei muitas noites de Natal solitárias e desprovidas
da companhia exuberante de uma festa em família,
mas em todas elas o que prevalecia era o domínio resoluto
da comemoração sadia do aniversário de Jesus, foi isso que aprendi desde menino... 
Uma noite de celebração em que eu deveria
comparecer á presença dele para lhe oferecer alguma dádiva, um desejo, um voto descrito em pequenas palavras de gratidão-uma oração... E se houvesse fartura, prendas e comida, então claro
tudo se faria ainda mais luminosa a alegria...
Foi nesse contexto que aprendi a gostar do Natal, não conheço outro que não seja esse. 
Então, mesmo que se faça um Natal de outro modo, 
comercial ou triste 
ou quando desprovido de festas e presentes, 
gosto de por um breve momento que seja, acordar o meu coração para a Paz que me foi anunciada e repartir esse pão e me alimentar dele, os frutos dessa noite iluminada dessa presença me alcança outras noites tantas em que solitariamente, presto o meu culto e o meu louvor que é fruto do meu amor por Ele... Esse toque, essa companhia, tem se tornado o meu presente todo dia.


Feliz Natal!




Marcos Segala

O céu que nos protege




Ao longo 


da minha vida


eu conheci muitos céus azuis


sempre azuis...


Hoje a minha visão do Céu 


é ainda mais próxima


das imagens e visões 


de céu


que percorreram a minha infância...


Ainda deito no chão em noites claras


pra admirar e contemplar o céu 


repleto de estrela em noites de belo luar...


Também é do céu que me vem toda esperança


e contentamento que tenho pela vida...


o Céu ainda me fascina e me distrai...


É nessa "caixa celeste" onde habita certamente


grande parte do meu olhar,


meu coração e existência!








Marcos


Para Nara

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Alegria refletida







Sem transtornos 
de personalidade
eu só queria
me saber
singelo de alma
e de humilde 
e puro o coração
pouca coisa
serviria 
pra conduzir o meu destino no tempo
que fosse um só pensamento
mas que não vivesse escondido no porão...


Não precisava ser mar
ser rio 
um fio d'água escorrida
Um braço afluente do que é seu
uma poça de alegria líquida
refletindo a luz serena de um astro
que por sua vez brilhasse intenso
no universo inteiro 
num momento 
luz refletida no chão...




Marcos

Bonança em alto mar









"O oficio da
filosofia
é serenar
as tempestades da alma."


Montaigne

...Conheço uma voz que pode acalmar 
e aquietar as tempestades que conheço..."

Marcos

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

eu e meus eus em mim



Condensados os meus eus 
em mim
num mesmo eu 
único e solitário
solícito e solidário para comigo mesmo
Egocentrado 


Excêntrico 
que se me fosse por um só instante
ancorado nas vertentes
e vértebras
de todos os eus que fui outrora 
sem que me confundisse 
ou partisse de mim mesmo sem regresso 
e sem chegada...


Onde estaria eu agora?


Aguardei que me aquietasse um pouco
o coração e a alma aflita
tantos eus em mim coagita
Insista eu em me tranquilizar 
de todas as razões que agora tivesse
pra me abalar e abater o espirito
por quantos eus eu sou em mim mesmo
e quantos terei sido desde menino...


E me voltasse pra mim mesmo
Egocentrismo


Deveras
Resistimos todos nós
em mim 
prevalecido sobre todos os eus que 
eu possa ter sido
e ainda seria
Ficando apenas eu 
em mim mesmo renascido


Reconstruído... 




Marcos

Bom termo







Confiar 
confiei
despojei temores
e preservações
descartei as cores mórbidas
que o medo acentuaria 
em ameaças traduzidas
do real ao imaginário frenesi
desacreditei nas suas verdades
conduzidas 
e me acudi em tempo
apenas guarnecido 
da confiança exercida
de que quando pouco se pode fazer
o que se pode fazer tendo feito
é o bastante esperar...
Descansar
descansei
esperei
Me previ
á salvo da existência 
de águas bravias e tubarões 
estarrecidos e famintos
por minha carne 


"...reticenciar ninguém se atreve 
é tão bom sonhar contigo, 
ó luar tão cândido..."






Marcos

Belo adormecido






... Então dormir e sonhar,

dormir
e não acordar...!

Fugas da realidade
te levariam a um bosque cheio de perigos mortais...


Sem chances de beijos milagrosos
Despertar...






Marcos

Gratitude





 Nunca me esqueci
do consolo com
que fui consolado
e que o bom efeito
dele
sempre foi 
o de eu ter consolo
em mim mesmo
transbordado
para quem precisa 
de consolo
Consolar...


Marcos

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

colorida a vida!


...estou bem,
a vida se tornou 
bastante dificil,
á princípio
depois bastante insipida,
mas
agora colorida!



Marcos

Obstinação




...Quanto mais se comprimiu 
a mão pesada 
as minhas pétalas 
mais perfume 
se exalou nas mãos 
que me esmagou!


Marcos

Palavra-Fruta




Mordi
palavras maduras
caldalosas e gentis
Cuspi fora o bagaço
desprovi a parte insipida
amarga
brocada de umas palavras 
de duplo significado
Retive o bom e o bem dessas palavras todas
Sorvi o néctar puro 
da essência doce de outras tantas
que deduzi serem capazes
de provir escritos novos
Salada de Palavras-frutas...
Talhei fatias e outras rimas
liquidifiquei poesias 
com casca e tudo
e de novo separei á parte 
uma outra parte 
menos escrita.
Facas afiadas
Laminas acessas
Filtros
Peneiras
Coadeiras
Línguas sóbrias
dórias
Delírios...
Palavras balbuciadas
no lóbulo da orelha...
Fruta mordida
Filtrando
Peneirando
Coando palavras e bagaços
restos 
cascas e sementes amargas
selecionadas no desejo
do sabor de saber mais
quem sabe mais...


Marcos

Libido



 Facilmente
te desejo
quando te vejo
e se 
não vejo
de longe desejo 
o teu desejo...



Marcos

Generosidade vivida











Estou pensando 


no quanto 


ultimamente 


a vida 


me tem sido generosa, 


grandes descobertas 


tem mudado os rumos do meu coração 


e grandes pessoas 


me tem acercado de grandes sentimentos...








Marcos

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rasgado o véu





Abandonei a mascara
e me revelei
o rosto desnudado 
de qualquer defeito
ou medo...

Devolvi os preceitos
que me impuseram 
uniforme
descolorido
desprovido
o compromisso
alforrei os meus sentidos

"Rompi com o mundo
queimei meus navios,
diz com que cara eu devo partir..."

Advoguei 
e
Tagarelei
esboços da minha defesa 
e não calei no peito a aceitação perfeita
da nova cara revelada
por trás da culpa 
que me detinha
numa pintura
Um esboço qualquer de ilusão
Um rosto padrão
do seu rosto patrão...

Adiantei-me no tempo
do tempo que me resta pela mão
atravessarei os dias 
como flecha
polida
rumo ao certeiro alvo
que era previsto o destino 
e que eu não conhecia
Me conhecerão

Fui enganado
e desengano
engastado em conceitos
libertinices da mentira
uma prisão... 
sem a sua inquisição
fiquei livre
e de cara nua
Nova estação

Rosto descoberto desde então

Contemplação...



Marcos

sábado, 10 de dezembro de 2011

Guardados preservados





E pensar que gostas de guardar lembranças 
e suvenires
Nostalgia,
quem sabe um dia
eu venha a pensar
que são todas tuas
as lembranças mais queridas
que guardo da vida.
Acredita...






Marcos

Muito é demais







Entendo agora
o por que 
do pouco que me cabe
preencher o coração tão depressa


Visto que com o coração
já preenchido
o que me cabe é pouco 
no espaço que me sobra


Uma pequena porção
me enche o coração
das coisas que são
o ninho
o cesto
o peito
cheio
lheno
é melhor compartilhar
no transbordar...






Marcos

Vislumbre







Do topo de um edifício
numa torre alta
um arranha-céus gigante
da sacada de um apartamento
Eu vi o Mar


e vi 


o Rio Tejo


Imaginariamente eu vi


e vi que a terra é redonda
como é redonda 
a lua 
reluzindo sobre as águas 
na paisagem derramada de ternura...


Que cidade linda!
e que possibilidades
imaginativas de ver
nela estampada
outras cidades tantas
por que passei e vi,
multifacetadas 
visões da vida
revelada em cada click
do olhar
Imaginar...


Lá no horizonte era o mar...!






Marcos

Prossigo








Eu poderia 
pensar
que perco tempo
desaproveito
o que aproveito
ou até
que perco 
as coisas boas da vida
ao longo da estrada
Fico...


Mas prefiro
me atestar do ganho
no proveito
que me vai ganhando
a mim mesmo
ao longo do Caminho
Sigo...






Marcos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eterno







Chega um tempo 
em que escolhemos
a idade em que queremos ter
de todas que já vivi
tenho esta
que agora tenho 
esta que sempre esteve comigo
mesmo outrora...
A mesma idade
desde sempre
Posto que está posto
no coração do Homem 
a Eternidade
Eternamente...






Marcos