quarta-feira, 31 de outubro de 2012

a alegria vem pela manhã







Passei dias
ensimesmado
letargia
uma força angustia agonia
solidão de quem está
doente em casa sozinho...
Descanso
alcanço lápis e papel
descanso palavras soltas
em papel em branco
abro asas
que me levam
acima
avante
lá onde o mar encontra
o horizonte
lá onde não há nada complexo
nem explicação pra nada
tá tudo certo
Tudo obedeceu o seu curso
a Mão o conduziu
e o escrito dirigiu
alinhavados os fatos
ressonâncias
retalhos de uma vida
cada dia
colcha de retalho estendida
agasalho simples
noite fria...



Marcos Segala

Happy hour







Descansa
alcança lápis e papel
descansa
palavras soltas
no papel em branco
um texto limpo
colorido
festivo
farto de ideias
graça e alegria
e mesmo que a vida lhe imponha
pranto
sorria
quanto mais de riso
forem as palavras
escritas
descritas
na vida
tanto mais
o contentamento delas
no poder
que reproduzem
como sementes
contentes
num coração
alegria
de quem as lê
depois de escritas
na vida
traduzidas
vividas...



Marcos Segala

A lua girou...






A gente nunca sabe
nunca prevê
nem mesmo felicidade
antecipada
alegria
olhar alí na esquina
o que vai acontecer
que quebre a rotina
num momento
e os câmbios da vida
que câmbios virão
represado de emoção
céu de deslumbramento
transbordando
me transbordando
e você transbordado
lua girando no céu
e o travesseiro dos seus braços
a lua girou, girou
e os frutos derramados na canção
bendito o fruto prometido
nova estação
na boca um gosto de sal
um momento inesquecível
nem sabia ser possível
na graça, na raça, no sonho sempre
quem traz no corpo essa marca
possui a estranha mania de ter fé na vida
mistura dor e alegria
no travesseiro dos meus braços...


Marcos Segala

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

noite a fora








Vento calmo
brisa fresca
madrugada
lambeu nossos corpos
sob a janela da sala
o sofá
a janela
a copa das árvores
o céu pontilhado de estrelas
a imensidão
eu,
eu era o vento
sopro sobre o seu corpo nú
era a janela
cúplice assistindo o nosso amor
e as copas
as árvores
e o céu
e as estrelas testemunhas
eu era você em mim mesmo
em si mesmo
eu era eu mesmo nesse momento
e lá fora
as árvores derramando flores
na calçada...


Marcos Segala

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

guardados







Guardou
intacto
peça de museu
com medo
que o uso
usasse o usado
e usado
perderia o valor 
intacto
nunca usou
nunca usufruiu
do que viu
guardou...


Marcos Segala

dias de outras cores...






Fiquei dias sem sonhar um sonho
sem contar um conto
amoado
calado num canto encantado
petrificado
esquecido 
resguardado
como as árvores do meu portão 
hibernaram e agora floresceram contente
Escrevi coisas que não quis postar
nada que quisesse muito  concluir
emoldurar no blog de lembranças
pra você ler depois de mim
Escrevi coisas belas 
da beleza delas mesmas 
que eu vi
coisas belas de se observar
como flores que o jardim não conheceu
Flores de dentro de casa
pra intimidade enfeitada
aquela que o estranho não participa
flores no vaso sobre a mesa
flores no vaso de vidro
posto sobre o meu criado mudo
e a casa perfumada 
pétalas e luz de velas
queijos e vinhos na mesa farta...
Fiquei dias sem sonhar um sonho
sem contar um conto
sem cantar uma canção de amor
amei sozinho em secreto
desarmei do amor uma bala no peito
ferido dentro o pensamento escrito
Flores de dentro de casa
que meu jardim não viu
não conheceu...
Flores de dentro da gente
flores por dentro contente


Marcos Segala