domingo, 11 de novembro de 2012

de nunca estar só




Que solidão é essa
imposta 
plantado só
no meio do jardim
longe das flores
que tens aí
deu-me de ter flores
em mim
A lua no céu á noitinha
noite toda inteirinha
suavizando com brisa
e frescor enluarado
o dia 
quente de sol
que se foi...
Nuvens desenham
formas e contornos
desenho  
imagens que vejo
conto histórias pra mim mesmo
do que percebo no céu escrito
Altaneiro num corpo vertical esguio
espio
plantado

no meio do jardim
enraízo
vejo 
daqui de mim
o horizonte que se forma
lá na linha horizontal
que junta céu e terra
eternamente
nos quatro cantos de mim...
Outras árvores
arbustos tranquilos
cercam parte da paisagem
e a gente se assiste 
eu, tu e eles
mutualmente
todos eles plantados
lado a lado
enfileirados
florestados
ajuntados
e
eu
ilhado
afastado
e no entanto
acompanhado
cercado
ninhos
festa
pássaros
canto alegria
flor
espinho
frutos derramados ao pé de mim...



Marcos Segala

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

cotidiano





As flores
na calçada da minha rua
são minhas 
são suas
desfrute delas com alguém
querido
se ninguém falasse delas
eu falaria
se ninguém as visse
eu veria
apontaria
fecho os olhos
e me vejo acordado
pros elementos cenários
que compõe o meu dia
os pássaros
em algazarra nas árvores
do meu quintal
seus cantos
e ruidos naturais
cigarras explodem
arrebentam
chamando o verão
canções
até o som barulhento urbano
dos carros
na rua de baixo
me chega aqui
como som de águas rolando
num turbilhão vivo
de um rio
as simples belezas do jardim
estreliças
a fartura de frutos no quintal
me maravilho acredito
tudo isso é real
a casa me abraça
com braços maternos
me nutre força e vigor
todo dia
de seu ventre terno
abasteço
todo o planeta é nossa casa,
sente...



Marcos Segala

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Acalanto






Uma chuva pesada

Noturna

Cantava lá fora

Desaguando

Entusiasmada

Canção de ninar

Ninei-me aconchegado

Embalado por essa canção

Uns prazeres pequenos

Gigantescos

Como criança dormia

Na preguiça aninhado 

Sob a canção da chuva...



Marcos Segala

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

pelas janelas te vejo







Enchi os olhos
de céu
lá fora
céu azul
nuvens cor-de-rosa
parei alí por uns minutos
com todo aquele céu bonito
dentros dos olhos
infinito
quando a casa entrei
os olhos da casa
eram
o céu aberto
que vi lá fora
e a casa cheia de céu
era azul
era rosa
era um pedacinho de céu
cá dentro...



Marcos Segala




Deixei pendurado um sorriso
no canto da boca
mantive o riso lá engatilhado
a qualquer momento 
transbordaria
riso largo farto gargalhado
quanto mais pensava no riso
mais riso eu tinha comigo
riso de fora pra dentro
riso de dentro pra fora
transborda derrama o meu riso
contentamento talhado no sol riso
que eu preciso
gargalho alegria incontida
derramo pra fora entusiasmo
na alma preenchido
por dentro todo mexido...


Marcos Segala