sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

bem aventurança





Sabe,
quando perdi minhas folhas
desfolhado
seco
desbotado
fiquei triste e chorei
saudei as flores do passado
como viva lembrança
uma estação inteira
estive ressequido
contorcido
cólicas e dor de espírito
mediquei 
antibióticos 
dipirona
vasculhando 
a minha dor...
Noites febris solitárias
e a tua mão estendida
comigo 
alcanço
Obrigado...
As quatro estações 
que me codificam a vida
me trazem tanto movimento
atordoo
de quando me ausentam folhas
flores
brotos
se aninham em meus galhos
a vida dos outros
Minha sina vida
diferente bem da tua
cercado foste de densa floresta
verdejante
fresca companhia
fui afastado cresci marginal...
A compensação dessa vida exposta
proposta
vivo enraizado em terra larga
vasta
e a vastidão dessa ciranda louca
desprende sempre
um riso largo em minha boca
forma beijos na tua boca
Não fui plantado á margem do ribeiro
e nada foi muito fácil
mas descobri bem debaixo
dos meus pés plantados em solo fértil
onde estou
que minhas raízes são banhadas
por um rio invisível, eterno
Longe do ribeiro?
Ué, ele passa primeiro
ao alcance das raízes do que eu sou...



Marcos Segala