segunda-feira, 13 de maio de 2013

Anos Dourados







As sementes germinaram
Despontaram
Prontas para ser árvore
Frutífera no fundo do quintal
As flores por sua vez
Exibiram-se em fruto
No tempo devido
E lá dentro do fruto
Há sementes de novo...
Minhas meninas cresceram depressa
E o tempo passou num segundo
Vamos marcando os centímetros
Acrescidos com entusiasmo envelhecido
Fui ficando contente hoje ao longo do dia
As mensagens de felicidades
No aniversário
Denunciaram no Facebook
Que cumpri mais um ano de vida
Tive outra entrevista de emprego
Ligações entusiasmadas
De felicitações desta vez no celular
As meninas ligaram também
E as suas mensagens repetidas
Encheram-me de alegria
Ontem era o dia das mães
Hoje é o meu dia
Numa segunda feira cheia de expectativas
Tomara uma resposta de emprego
Me servisse de presente
Eu devia estar contente apesar de tudo
E a lembrança de te verei mais tarde
Encheu-me de alegria
Dediquei um momento ás lembranças
Longínquas
Festa, amigos e balões
Entusiasmo em volta do bolo e velinhas
Nostalgia
Vou contando os anos
De novo e mais uma vez ainda
Aprendendo a contar os meus dias
O bolinho confeitado vai ficando
Cada vez menor
E a quantidade de velas cada vez maior
No canto do meu riso cabe
Uma poesia pendurada
No canto da poesia
Cabe o seu sorriso ainda...

Marcos Segala



quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Outono Chegou









É
Eu guardei alguma esperança
Para esse momento exato
Alguma que me fizesse sorrir
Ou
Que tivesse ainda poderes
Sobre a desesperança
Saio ao jardim
As flores
Sorriem ao sol de outono
Os pássaros cantam
Numa algazarra mil
Periquitos e outros pássaros
De cantar alegre
Barulhento
As folhas das árvores na calçada
Amontoam umas sobre as outras
E dobram o meu trabalho
De manter o lugar limpo e varrido
Tudo se renova todo dia
Num processo teimoso
Que quase beira ao desespero
As manhãs estão frias agora
O inverno se aproxima
Embora não seja rígido o frio
Cá sob os trópicos
As árvores desfolhadas
Secas contorcidas
São de uma paisagem triste
Agreste
É tudo se recompondo
Acalme-se amigo
Digo de mim pra mim mesmo
Quase num sorriso...

Marcos Segala

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Um Todo

Disse o Monte
Nas alturas cume-monte
Estou só
E lá se foi o seu caminho
o Rio
Sozinho
O Céu também estava só
No infinito 
O Horizonte não ouviu o meu grito
Repetido
Eco-erguido
Eu 
Sentado no cume do Monte
Mais sozinho
Do que comigo mesmo
Olho á volta a solidão infinda
Colorida
Inscrita na solidão da paisagem
Chego logo á conclusão prevista
Não existe solidão
Cercado de mim mesmo 
Por todos os lados
Em que vejo o Céu
o Sol
o Horizonte 
o Rio deslizando trás dos montes
Sozinho o seu caminho
Acompanhado disso tudo 
Que o faz ser Caminhante...
Eu caminho.

Marcos Segala 
   

Catavento




t
Talvez
Eu devesse
Em breve tempo
Não ter nada que pensar
Nada pra dizer
Mesmo que fosse
Pra mim mesmo
Quando me encontro só
Nem aí nesse momento
Me silencio 
E se me pego desprevenido
De palavras pra dizer
Não me calo
Se durmo
Sonho
Lá não me aquieto
Movimento
Todo o tempo
Catavento dentro em si  
Se me calo 
Penso
Logo escrevo
Entretenho comigo mesmo
Das palavras que escrevo
Assim,
Em movimento o tempo inteiro
Sob o sopro do Vento
Sobejo...


 Marcos Segala