sexta-feira, 27 de novembro de 2015

os dias ficam iluminados







Há dias escuros mesmos aos mais esclarecidos do escuro, 
"não temas pois eu sou contigo," não havia ponto, era só a virgula da respiração e tomava fôlego imediato de novo tendo uma janela aberta acendida fôlego de vida!


Marcos Segala

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Voa





Pode até ter medo de altura
mas deve saber do poder de suas asas...


Marcos Segala

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A arte de ser feliz




HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz. 
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. 
MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
in “Escolha seu sonho”  de Cecília Meireles

Quis transcrever aqui um texto lindo que me emocionou na tarde de hoje, quando tirei um tempinho para lavar a alma de palavras, poesia, cecília...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Fera ferida?





Mostrou-me 
a alma abatida
e eu vi
um 
coração
partido,
se quiser
falar
ombro
amigo
comigo
conta,
disse-me ele
ao pé do ouvido...

Marcos Segala

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

parece brincadeira com frio na barriga























Eu poderia me sentir aflito
em perigo
mas quando me lembro abrigado
contigo
rindo
retirado
separado
fico
e toda a aflição do aflito
esquecido
sob tua mão 
protegido...

Marcos Segala

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Adotado, adotivo, filho












Fiquei muito tocado no fim de semana em sua casa, foi como uma visita a um templo, fui sendo abençoado. Depois senti no meio de tudo, já tudo usufruído, compartilhado, como se eu deixasse a desejar o merecido... Acredito, fui bem vindo pra ver o possível , o provável refletindo, me fez lembrar de um outro lar que visitei um dia bem longínquo, e que me acreditei por uns instantes, definidos, que aquele era o meu lar prometido... vindo... 

Marcos Segala

A casa do meu pai








Eu vi a casa da árvore de que você falou
e a olhei de todos os lados vistos
daqui de baixo e ela firmada firmo
entre os galhos altos da arvore protegido
guardado de todos os ventos noturnos
lobão-lobinhos vindos,
agasalho filho em suas asas abrigo.

marcos segala