segunda-feira, 16 de julho de 2018

A prata da Lua





Gosto de pensar
e confirmar
que todo esse tempo passado
não enrijeceu minha confiança
não gessou a esperança
não me embruteceu por dentro
nem há soma exata das perdas
que eu tive
nem balanço dos ganhos que eu tenho
a vida continua,
e ainda que me apanhasse dormindo
certamente
me veria sonhando acordado
planejando um caminho
muito parecido com tudo o que vivi até aqui... 
Deixo roupas que não me servem mais
sem apego, ficam para trás
usei meus sapatos até bem gastos o solado
e a aparência disforme
marcado longe os lugares 
onde palmilhei o meu pé... 
Grande é o celeiro da sabedoria
e virtudes da maturidade
Flores 
Cores
Sabores
delicadesas e força
fé, coragem
e destreza 
como atavios para a beleza
dos dias de agora;
"fui o heroi da minha própria história"
As que contei de mim mesmo
E a que de mim foi escrita... 
Revejo realizações benditas
previstas no coração
quando ainda menino eu formulei contar 
como seriam os dias
em que as primaveras da vida
trouxessem prata aos meus cabelos... 
Enluarado
Desisti de embotar e sabotar os meus grisalhos
agasalhei contente 
um novo momento na vida que virá.

Marcos Segala

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