domingo, 11 de novembro de 2012

de nunca estar só




Que solidão é essa
imposta 
plantado só
no meio do jardim
longe das flores
que tens aí
deu-me de ter flores
em mim
A lua no céu á noitinha
noite toda inteirinha
suavizando com brisa
e frescor enluarado
o dia 
quente de sol
que se foi...
Nuvens desenham
formas e contornos
desenho  
imagens que vejo
conto histórias pra mim mesmo
do que percebo no céu escrito
Altaneiro num corpo vertical esguio
espio
plantado

no meio do jardim
enraízo
vejo 
daqui de mim
o horizonte que se forma
lá na linha horizontal
que junta céu e terra
eternamente
nos quatro cantos de mim...
Outras árvores
arbustos tranquilos
cercam parte da paisagem
e a gente se assiste 
eu, tu e eles
mutualmente
todos eles plantados
lado a lado
enfileirados
florestados
ajuntados
e
eu
ilhado
afastado
e no entanto
acompanhado
cercado
ninhos
festa
pássaros
canto alegria
flor
espinho
frutos derramados ao pé de mim...



Marcos Segala

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