quinta-feira, 10 de maio de 2012

janela da estação





Outras tantas vezes tantas eu multipliquei as horas passadas ali no sofá da sala debaixo da janela e persegui com o olhar as estações que se formaram combinando mudanças nas copas das árvores do meu jardim. Vi os galhos se desfolhando e secar como se a vida não lhe pertencesse mais. Vi galhos inteiros se partindo, arrancados pelo vento e cair por terra depois se encher de brotos rompendo em folhas outra e outra vez, renascendo logo florescendo e outros galhos novos apontar... Vi essa árvore, lar de muitos pássaros aninhados nos seus galhos renovados, e na renovação flores se abriram colorindo a vida, a minha rua, minha estrada. Vi tantos céus em nuvens chumbos se formando, céus encharcados de pesada tempestade, céus acinzentados esbranquiçados, dias nublados, frio invadindo a minha casa me congelando os ossos e arrefecendo minhas ilusões... Dessa mesma janela em dias ensolarados, claros convictos de colorido abrasador, tive a alma aquecida insólita de esperanças mornas, acalorada a branda poesia dentro de mim, pela janela vendo o ziguezaguear de insetos voadores, pousadores ligeiros de flores furtando nectar  adocicados em primavera e verão...

Marcos Segala

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