sábado, 17 de dezembro de 2011

Aquela noite de dezembro





"Deixei meu sapatinho 
na janela do quintal
papai do Céu deixou meu presente de Natal"
...
As lembranças todas significativas
que cercam o Natal 
desde que eu era menino, despertaram no meu coração 
o desejo e a esperança de ser "lembrado" com um presente...
Minha infância pobre desmentia 
muitas vezes essa lembrança.
Mas o encantamento que cercava a data
ou me foi aprendido
ou me foi traduzido
como sendo um momento de expectativa 
de que algo bom me aconteceria naquela
noite de dezembro...
E de fato, fosse uma roupinha nova
um brinquedo barato,
prenda simples que cabia no bolso de minha mãe...
Sempre vinha um agrado, uma lembrança.
Nossa ceia, solitária nem de perto imitava
ao glamourosos encontros em torno de mesa farta
que a nossa TV em preto e branco exibia.
Mas nossa noite colorida em mesa simples traduzia
um aconchego feliz que a televisão não garantia existir...
Depois de crescido poucas vezes se reproduziu
mesmo em meio a luxos apetitosos de uma mesa farta
o acolhimento que cabia no colo de minha mãe
ou na oração sincera que se fazia na gratidão 
do pão repartido...
Eu passei muitas noites de Natal solitárias e desprovidas
da companhia exuberante de uma festa em família,
mas em todas elas o que prevalecia era o domínio resoluto
da comemoração sadia do aniversário de Jesus, foi isso que aprendi desde menino... 
Uma noite de celebração em que eu deveria
comparecer á presença dele para lhe oferecer alguma dádiva, um desejo, um voto descrito em pequenas palavras de gratidão-uma oração... E se houvesse fartura, prendas e comida, então claro
tudo se faria ainda mais luminosa a alegria...
Foi nesse contexto que aprendi a gostar do Natal, não conheço outro que não seja esse. 
Então, mesmo que se faça um Natal de outro modo, 
comercial ou triste 
ou quando desprovido de festas e presentes, 
gosto de por um breve momento que seja, acordar o meu coração para a Paz que me foi anunciada e repartir esse pão e me alimentar dele, os frutos dessa noite iluminada dessa presença me alcança outras noites tantas em que solitariamente, presto o meu culto e o meu louvor que é fruto do meu amor por Ele... Esse toque, essa companhia, tem se tornado o meu presente todo dia.


Feliz Natal!




Marcos Segala

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