Era uma vez,
um moço solitário e triste,
feito pronto pra ser feliz-mesmo-acordado.
Era triste.
Preferia estar dormindo
como se isso fosse belo
- Viver o mórbido adormecido!
Enquanto dormia
viajava o Moço
pelo mundo dos sonhos e da fantasia atroz...
Havia no mundo do Moço em sonho
um colorido compacto - de seu devaneio solitário onde a solidão não existia. Tudo fantasia...
Era antes suprimida pelos milhões de amigos que o belo queria ter...
Onde cabia todo o mundo apertadinho?
Era tudo bem guardado no seu grande-coração-entorpecido.
Até que um dia um beijo apaixonado o despertou!
Esperto o Moço acordou de seu sono de pedra,
Abriu os olhos pra conferir a vida-que-é-viva.
Ver a luz depois de tanto tempo
e ver o céu, o sol, a lua, o mar, a chuva e as estrelas...
E via a vida no seu todo movimento
Viu-se
Animado-irrestrito
Num mundo ainda mais belo que o seu velho mundo irreal-dormido.
E como num resgate de alma
O Moço dantes solitário-e-triste-menino;
Viu-se agora despertado diante de si próprio
Na companhia amiga de si mesmo,
"Visto que ele mesmo era a princesa que dormia...!"
E afinal.
Onde seu Eu existiu sempre dormindo
Cabe agora lugar real para ele mesmo
E os milhões de amigos no seu largo coração
acordado-de-menino.
Marcos


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