quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aprendendo a contar os dias!








Recentemente, no aniversário da minha caçula, sem dinheiro suficiente para dar uma festa, no que foi possível comprei um pão de mel e espetei na cobertura de chocolate uma velinha cor-de-rosa. Vim até a sala de televisão onde ela estava com a Esther. Cheguei-me até ela elaborando uma surpresa com o bolinho escondido em uma das mãos por trás das minhas costas. Mostrei-lhe o pequeno bolo, cantando "parabéns pra você nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida!" Velinha acesa e ela com um rosto radiante iluminado tanto pela luz da vela mais ainda pelo largo riso de contentamento, soprou a chama que balançava em labareda viva e a vela apagou de imediato.
Numa fração de milésimo de segundo, uma série de pensamentos tomaram de pronto a minha cabeça como uma névoa repentina que me obrigasse a olhar pra dentro de mim mesmo.
Encontrei-me na simplicidade alegre de minha infância apagando uma velinha posta em cima de um bolo caseiro feito por minha mãe para não deixar passar em branco a singela comemoração do meu aniversário. Era uma homenagem simplória mas de grande significado. 
Chega um tempo em nossa vida com o passar dos anos e o amontoar das idades, vemos colecionadas lembranças memoráveis que se fazem vivas quando atribuídas já a outros bolos, outras velas e outras simplicidades amenas...! As boas lembranças, essas que nos emocionam e transbordam em si mesmas como leite derramado ao ferver... Escoam aquecidas e ferventes lavando os olhos e o coração... De modo que as coisas aquecidas pelas desventuras a gente esquece e se aborrece delas mas as outras e todas as outras são empilhadas num canto qualquer da nossa "casa interior" por dentro da gente, onde mora saudade e prazer sem que haja espaço para áspera melancolia! Seria muito triste viver inconsciente dessas pilhas de histórias fotográficas que revelam o fato do que se viveu com prazer e afeto o dia que passou!
Olhando para fora,
vi a minha pequena me olhando atentamente como que esperando no previsível que eu tivesse algo grandioso pra lhe dizer.
Velinha apagada ali bem diante dos nossos olhos, estávamos os dois seguindo com o olhar o espiral de fumaça que subia em desaparecimento no ar...
"Que significado pode ter o apagar de uma velinha de aniversário papai?"
Se a luz vira fumaça e não permanece acesa, a luz do significado é a luz que fica e perpetua. Minha cabeça também estava num fumaceiro só...
Estranhamente senti-me desafiado como que diante de uma grande multidão ávida por ouvir a mensagem de um palestrante articulado!
O que eu posso dizer? Perguntei de mim para mim mesmo!
Parece frustrante termos de apagar a velinha quando na verdade o que queremos é acendê-la e nos gratificar da sua luz compartilhada. Ela ainda me olhava atentamente, á essa altura, Esther também se aproximara para ouvir o que eu teria pra dizer á irmã. 
Sabe Aninha, penso que apagamos velinhas hoje com quem marca o final de um ciclo, uma passagem para um outro momento em nossa vida, uma nova idade, renovamos a contagem dos dias. 
... Apagamos uma etapa e nos prontificamos felizes e entusiasmados na esperança de ter acesa nova luz e a contar tudo de novo e outra vez...ano após ano e muitos anos... Sempre esperando que nos próximos tenhamos fôlego de vida para soprar mais velinhas e começar de novo a contar quantas já foram sopradas e quantas temos esperança de acender e soprar... Curioso que tenhamos ao longo da vida de acender algumas coisas radiosas apenas para que em seguida  vê-las apagadas num sopro diante de nós. Sempre vamos lidar com questões de perdas e ganhos! 
Como as flores e estações perenes, enquanto vivas ostentam todo o frescor e perfume e cor que lhe são cabíveis... depois murcham e secam e descartamos desistindo delas mantendo em nós apenas o que registramos na fotografia do olhar do coração.
Até o pequeno pão de mel, partido em três bocados entre nós os três e logo desapareceu marcando-nos apenas e então com a docilidade derretida na boca ao fim da segunda mordida! ... Assim colecionamos na lembrança os bons momentos, felizes memórias...
Temos hoje a responsabilidade de viver a vida como quem armazena  boas recordações para o dia de amanhã...

Viva bem os seus dias!


Papai Marcos









Um comentário:

  1. Oi papis
    Seu blog esta cada dia mais belo.
    Te amo muito de suas filhas Esther e Ana Clara.
    ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

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