sábado, 6 de agosto de 2011

Autonomia de sentimentos!

Ontem ouvi um trecho de uma música que me deixou pensativo,
saí de casa á pé,
e numa das ruas em que eu passava uma música ressoante, assaltava quem passasse pela calçada em frente a um bar. O som estridente
repetia tristemente uma estrofe sem fim;
“depois que você se foi a minha vida ficou arrasada,
como se um furação tivesse assolado a minha existência... sem você não sei viver...”.
Que conclusão absurda e triste, 
ter uma vida inteira entregue a uma pessoa que pode virar as costas e sumir deixando para trás um triste saldo de desolação e dor.
Perdi ao longo da vida muita gente importante,
muita gente amada e consoladora.
Mas nenhuma delas representou perda o bastante para me fazer abandonar a fé,
desistir da vida.
Diante de uma montanha que cai, surge quase sempre um novo horizonte que nos resguarda os sonhos,
os projetos e nos confere forças para prosseguir, avançando na construção de ideais que só se formam renovados,
quando da necessidade de começar outra vez,
aliados ao fato de que na obstinação da própria vida, rompemos obstáculos e
seguimos em frente,
mais ocupados da força que se estabelece no corte,
na poda,
do que na avaria dos galhos que se perdeu.
Quero me ocupar do renovo,
do que é novo de novo,
esquecer o passado,
quebrar resistências, e
me lançar ao que me reserva o futuro que se faz no agora,
na seiva da vida que escorre incontida e avantajada no corte
que se fez na poda.
“Todo aquele que vem a mim, de maneira nenhuma será lançado fora”.
“E todo o galho que não dá fruto o Pai lhe corta, e
todo aquele que dá fruto é podado para que dê mais fruto ainda”. Muitos bons frutos no novo tempo que se inicia renovado.

Olhar por cima do muro,
derrubar as cercas de isolamento preconceituoso,
romper as amarras e exasperação que são comuns em quem morrendo de medo da vida,
desistiu covardemente e
tomou para si um pesado farto de desolação e culpa.


Marcos

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