quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma lição de perseverança





Tenho estranhamente
me sentido fragilizado como quem chega a um cais e descobre que a ponte foi destruída e que não há mais caminho a seguir...

Observo atento a uma longa fileira de formigas confusas e atordoadas diante de um bloqueio obstruindo a passagem.
Uma grande dispersão se generaliza conturbada em movimentos nervosos de “barata tonta”, cada uma delas comunica entre si exasperada o evento que lhes impede de avançar o caminho. Sistematicamente, o instinto animal que lhes domina lhes ordena seguir em frente e abrir caminho na persistência nada atribulada na lamentação ou desistência! Essa ausência de autopiedade é maravilhosa, será que isso ocorre facilmente a elas porque não são dotadas de emoção?

Entretanto, flashes de amargura explodem em minha mente registrando o meu desapontamento, por outro lado esses clarões todos me apontam rumo onde obstinação pela sobrevivência determina todos os comandos dentro de mim e ditam normas conscientes de bem viver perseverando sempre na confiança e disposição de fé... “Esperando contra a esperança”.

Trago á lembrança um episódio bíblico onde Paulo o apóstolo, passando por um naufrágio tem o navio em que estava todo destruído por uma terrível tempestade e ventos contrários.
Durante dias e noites, madrugadas dentro em trabalhos de vigílias e perigos de morte... E por fim a revolta das ondas batem de tal modo contra o navio, rompe a embarcação destroçada em pedaços... Mas que ao final, uns segurando em tábuas, outros em coisas do navio, todos chegaram á salvo em terra firme!

Bom ânimo, coragem!

O rascunho de uma obra que eu crie, elaborada em primeiro momento num pequeno esboço, seja um projeto de interiores, um móvel específico para responder a uma necessidade; uma tela que eu pinto e determino as cores e as formas e a proporção... Mesmo num bocado de texto que escrevo e que se transforma em mensagem viva no conteúdo... Passa por ajustes que somados ao primeiro insite, prossegue atento ao resultado final de obra de arte... Apanho-me surpreso com o que resulta daí... “Certas canções que ouço casam tão dentro de mim que perguntar carece como não fui eu que fiz...”.

De modo que,
coragem e entusiasmo são atributos necessários para qualquer conquista. ...”Indo de força em força!”

Tenho amigos que amargurados pelas dores do amor deixaram que a vida sentimental virasse um deserto árido, ressentidos do bem querer decidiram não se envolver com nenhum parceiro á serio.

Por medo de perder, perderam também a chance de se fazer bem no bem querer que o amor faz.

Minha mãe foi durante toda a vida uma mulher reclusa dentro de si mesma, vitimada pela desilusão e solidão que encontrou lugar quando depois da decepção com o meu pai, não confiou mais em outro homem para reconstruir com sucesso uma vida em comum.  “Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer...”

A prontidão devida para o recomeço é nata de todo ser vivo! A água avança o seu curso apesar da barragem de pedras que bloqueia o seu rítmo... A planta que desponta novo galho depois da poda, regenera depois do corte!

Pior do que a visão da poda é a visão triste de um jardim descuidado em abandono... O mato que é tirado, o excesso que é arrancado poderia sufocar o jardim e esconder as flores... Abrir os caminhos para circulação da vida possibilita novamente o viço da beleza e o crescimento saudável.

Logo após a poda a vide está mutilada e feia, alguns dias de chuva e sol e ela renascerá verdejante bela, radiante e admirada pelas cores e pelo perfume de seus frutos.

É verdade que as crises podem fazer o mato crescer,
mas o trabalho na retirada do mato proporciona um lugar aprazível e bem cuidado.
E por incrível que pareça,
também nos jardins há formigas podadeiras!

E a renovação da vida continua... Perseverante!

Marcos

Nenhum comentário:

Postar um comentário