Um dia nunca é como o dia que passou e nada do que nos acontece, sobrevém prontamente como o que já nos ocorreu antes.
Não apenas o cenário dos dias é alterado, mas muda também toda a disposição de idéias e contextos do que se pensa, do que se fala do que se sente na fração racional inovadora trazida com o novo dia que chega.
Não apenas o cenário dos dias é alterado, mas muda também toda a disposição de idéias e contextos do que se pensa, do que se fala do que se sente na fração racional inovadora trazida com o novo dia que chega.
A vida se renova de fato, trazendo revigoro, algumas drásticas mudanças e outras já previsíveis, mas em todas elas e quase numa descontinuidade do dia de ontem avançamos surpresos, surpreendidos pelo modo como tudo á nossa volta troca de lugar e nos faz atônitos, mas adaptados ao Novo que a vida trás.
O que pensar do desafio no dia seguinte ao Dilúvio para a família de Noé, homens e mulheres que tiveram de enfrentar um amanhecer e despertar de um dia depois de ter baixado as suas águas e sair da arca enfrentando o barro e a lama, a destruição trazida pela inundação que os leva agora a estar centrados apenas no parecer de um reinício na reconstrução da vida outra vez?
É bem provável que exatamente por isso, como lenitivo e consolo, tenha se servido o Senhor das cores de um arco-íris para dar uma visão colorida da renovação baseada numa nova promissão... Um sinal no céu lembrando a Palavra e a Promessa, o Consolo e a Certeza de que apesar da desolação e medo, das ameaças de se ver de novo o céu enegrecer de nuvens pesadas de chuva ou tempestade visitando a terra, ela já não seria devastada por outro dilúvio outra vez. Deus deu um sinal visível de sua Palavra Dada em Garantia de Livramento.
Eu me apanhei exatamente assim, tomado do sentimento de que ao aceitar fazer opção íntegra pela fé, eu tivesse sendo por Deus colocado num lugar de isolamento e solidão.
Continuamente fui acometido da idéia de que estar á sós com Deus é estar mais só do que eu mesmo pudesse compreender ou aceitar. Deus é invisível e todos os meus anseios são na maioria palpáveis e visíveis, lidar com o Mistério Invisível da Fé, pareceu sempre pertencer a um parâmetro ou ideal alto demais para a fragilidade e pequenez do meu curto entendimento.
Desse modo e talvez por isso mesmo, eu nunca consegui me entregar de todo ao Invisível e me deixar guiar prontamente pela “razão” da fé. E é provável que eu tenha sido atraído ao discurso da fé sem nunca ter experimentado uma entrega total e absoluta... Sempre reservando uma grande parte para mim em cada oferta de mim mesmo que eu trazia ao Altar.
Só agora, consigo perceber o quanto retive e o quanto desperdicei de todas as dádivas e de todas as ofertas que foram por Deus produzidas e trazidas ás minhas mãos a fim de que eu devolvesse a Ele em sacrifício vivo, santo e agradável.
Então cheguei a um ponto crucial onde a decisão por uma entrega apropriada a Deus seja oferecida sem reservas de minha parte.
Descobri desolado que de verdade nunca consegui exercer o amor a Deus com inteireza de alma, de coração e de entendimento. Cada vez que separei uma parte para mim, exerci com presteza o ditado que diz que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, é burro ou não tem arte”. Tornei-me enganador de mim mesmo. Enganando a mim mesmo. Não tinha a bênção toda para a oferta e muito menos tinha uma parte que me satisfizesse a alma na sua inteireza. Era assim uma oferta de “mão mirrada“... Uma parte retida e a que seria entregue não servia nem a mim e nem ao altar. Entendo hoje que o elogio á viúva pobre que entregou tudo de sua pobreza, não entregou bem nenhum que não fosse o bem de ter entregado a si mesma ao Senhor como oferta aceitável e exemplar. – Muitos dão do que lhes sobra, ela deu tudo de si, sem separar um só quinhão como segurança para o caso de necessidade no amanhã.
Justo agora em que pensei que finalmente pudesse gozar de toda a liberdade, desprovido da intervenção da igreja ou de algum mandato que hoje em dia estivesse sendo vinculado á minha obediência e interesse. Um homem adulto, longe da igreja, divorciado, sozinho, ainda jovem e pronto a satisfazer apenas os meus próprios interesses.
Mas, contudo, viu o Senhor a minha loucura... “Pedirão a tua alma e o que tens para quem será?
Adão, mesmo na livre presença de Deus, em pleno contato de expressão e intimidade com o Criador, viu-se em estado de solidão.
Deus atentou-Se para a solidão de Adão e resolveu supri-lo. “Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Ele estará atento á solidão em me encontro agora.
A reflexão sincera acerca desses pontos todos trouxe o entendimento de que Deus realmente “executa em nós tanto o querer quanto o realizar...” E que o homem “não possui realmente nada que do céu não lhe fosse dado”.
Hoje, mais do que sempre quis ou desejei, decido repartir todo o bem da revelação que me cerca no Senhor e fazer reparação em todas as ofertas que retive seja para separar uma parte egoísta para o meu bel prazer, seja detido pelo medo de que o Senhor não fosse assim tão fiel diante de nova necessidade que me assombrasse a existência. Quero fazer um concerto com Deus. Almejo amá-Lo com todo o meu coração, com todo o meu entendimento e com toda a minha alma. Quero experimentar o preenchimento do Espírito Santo em mim de modo abundante como é prometido e transbordar num novo entendimento da Graça e do Poder de Deus. Quero voltar ao primeiro amor sabendo que Ele me amou primeiro.
Quero ter forças para renunciar a minha vida e tomando a minha cruz seguir no cumprimento do propósito a que deu o Senhor quando me chamou no ventre de minha mãe.
Assim,
Tenho estado á sós com Deus, num S.O.S com o Senhor.
Marcos

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