terça-feira, 17 de abril de 2012

a chave




Há dias
parei aqui em frente á essa porta
a chave está 
do lado de fora
como que esquecida
ou sistematicamente
estrategia para que eu abra a porta
mil coisas me passam á mente
imagino
vejo e revejo
o que teria do lado de dentro
onde o giro da chave 
fechadura
me levaria
haveria volta depois de entrar?
talvez me fosse um abrigo
quem sabe um lugar amigo
um refugio escondido
talvez eu tivesse a chave comigo
sempre e livremente
indo e vindo
quem sabe alguém me espere
lá dentro
quem dera algum pão sobre a mesa
flores campestres num vaso de vidro
um gole de vinho tinto
como nas lendas por minha mãe contadas
havia sempre lareira e fogo brando
um bule de café fresquinho
e o cheiro de festa caseira dominando a casa...
crianças me olhando curiosas
querendo saber de tudo lá fora
um lugar pra recostar
uma cama pra sonhar
uma canção de ninar
já pensou numa banheira?
o cheiro perfumado 
sabonete e shampoo
bolhas de sabão subindo a cumeeira
e o azul dos azulejos nas paredes
banheiro todo cheio de vapor...
toalhas macias
quase um abraço
uma caricia hospedeira
um tapetinho ao pé da cama
um par de chinelos á minha espera
uma lâmpada acesa 
e um livro de cabeceira...
Eu aqui parado do lado de fora
não entro
meu Deus e agora?
Por que não me permito ser feliz?


Marcos Segala




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