O poeta
Não usa máquina fotográfica
Ele vê a imagem
Lê e capta com os olhos da alma
E registra em palavras
Escreve
Descreve
Transcreve
Insere a alma anotada
Subscreve
Revela intruso a imagem posta
Passeia a língua pela idéia esboçada
Mete o dedo na ferida exposta
Rompe o hímen da flor desvirginada antes mesmo da abelha
Cavalga velozmente sobre os montes e prados verdejantes
Tagarela no portão a vida alheia com palavras belas
Denuncia á público a moça na janela
Dentro da sala só Deus sabe, sabe ele e sabe ela...
Desvenda sendas antes desnudas
O poeta e a sua língua esferográfica
Revela rimas de auras transbordas
E se eu pensar que os meus versos copiosos
Não descrevem em foto a imagem imitada
Eis que traduzo ao pé da letra dentro
A emoção me escapa ao pensamento
E deixo a imagem á beira do caminho
E por fim ela ficaria assim
Digna de quem a encontrar
Palavra tomada e querida
Quem encontrar lhe será dono...
Marcos Segala

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