quarta-feira, 18 de abril de 2012

o poeta e sua língua fotográfica


O poeta

Não usa máquina fotográfica

Ele vê a imagem

Lê e capta com os olhos da alma

E registra em palavras

Escreve

Descreve

Transcreve

Insere a alma anotada

Subscreve

Revela intruso a imagem posta

Passeia a língua pela idéia esboçada

Mete o dedo na ferida exposta

Rompe o hímen da flor desvirginada antes mesmo da abelha

Cavalga velozmente sobre os montes e prados verdejantes

Tagarela no portão a vida alheia com palavras belas

Denuncia á público a moça na janela

Dentro da sala só Deus sabe, sabe ele e sabe ela...

Desvenda sendas antes desnudas

O poeta e a sua língua esferográfica

Revela rimas de auras transbordas

E se eu pensar que os meus versos copiosos

Não descrevem em foto a imagem imitada

Eis que traduzo ao pé da letra dentro

A emoção me escapa ao pensamento

E deixo a imagem á beira do caminho

E por fim ela ficaria assim

Digna de quem a encontrar

Palavra tomada e querida

Quem encontrar lhe será dono...



Marcos Segala

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